quarta-feira, março 20, 2013


Boas perspectivas e oportunidades no mercado aeronáutico

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Falta de mão de obra qualificada leva empresa a oferecer curso profissionalizante gratuitamente


O curso de mecânico de manutenção aeronáutica, desenvolvido pelo Instituto Helibras, capacitará gratuitamente pessoas de baixa renda. Foram oferecidas 30 vagas, os candidatos passaram por prova de matemática e de português. Os aprovados na primeira etapa fizeram entrevistas e receberam visita domiciliar para comprovação da renda familiar declarada na inscrição. Após conclusão, as entrevistas os candidatos aptos farão o curso, com duração de três anos, em Itajubá – MG. 

O presidente da Helibras, Eduardo Marson Ferreira, afirma que o mercado aeronáutico está em extrema expansão. Por isso, a ação visa atender uma expectativa social, aliando a necessidade de mão de obra especializada por parte das empresas do setor, como a Helibras. “É a primeira iniciativa, mas o curso despertou tanto interesse que tivemos mais de mil candidatos inscritos, vamos estudar outros projetos como esse”, afirma o presidente. 

Hoje a Helibras emprega 540 pessoas. Com a nova fábrica, a estimativa é de que até 2012 sejam mil funcionários diretos. “Uma estatística do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) diz que num projeto do setor aeronáutico os números globais podem gerar cinco empregos indiretos para cada emprego direto gerado pela empresa”, comenta Marson. 

A empresa tem criado oportunidades em termos de engenharia de produção e de manutenção. De acordo com Eduardo Marson Ferreira, em longo prazo essas oportunidades permitirão à empresa dominar por completo o ciclo de fabricação do helicóptero. A previsão é que, até 2020, a Helibras possa produzir o primeiro helicóptero projetado e desenvolvido no Brasil. 

Demanda


Segundo o presidente da Helibras, o proejeto dso helicópteros, de modelo EC 725, irá demandar nos próximos dois anos profissionais com experiência no ramo aeronáutico. As principais oportunidades envolverão a contratação de uma mão de obra de formação técnica. Mas, como está prevista a criação de um Centro de Engenharia da Helibras, uma parte menor será suprida também com quadros de nível superior. 

Ainda segundo Eduardo Marson, é importante salientar que esses conhecimentos serão complementados com a evolução e desenvolvimento dos cursos técnicos e universitários relacinaddos à atividade aeronáutica e aeroespacial existente no Brasil, como os oferecidos pela Univei (Itajubá) e pela Faculdade de Engenharia Aeronáutica da  USP (São Carlos).

De acordo com o gerente de recursos humanos da Helibras, Arnaldo Lemes, a maior oferta de vagas está na linha de montagem e serviços de manutenção. “Faltam mecânicos com especialização em helicópteros”, diz. 

O supervisor da linha de montagem, Arlindo Soares, que trabalha na empresa há 31 anos, conta que quando começou eram cerca de 40 funciionários, hoje divide experiência com a nova geração. “A tendência é que a Helibras continue crescendo e expandindo com novas tecnologias”, conta Arlindo. 

Helibras: única fábrica de helicópteros da América Latina


A Helibras está em atividade no Brasil desde 1979 e mantém instalações em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. A fábrica com o maior números de empregados está localizada na cidade de Itajubá, no sul de Minas Gerais, onde são fabricados diversos modelos que atendem aos segmentos civil, governamental e militar. 

A empresa é responsável pela montagem, venda e pós-venda no Brasil de aeronaves do Grupo Eurocopter. Controlado pela European Aeronautic Defence and Space Company (EADS), sendo responsável pelo desenvolvimento de tecnologia que contribui para a indústria aeronáutica nacional. 

Eduardo Marson Ferreira, presidente da Helibras, explica que Itajubá foi escolhiada estrategicamente como instalação da fábrica devido à localização. “A cidade oferece vantagens interessantes: proximidade com os três mercados (São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte), acesso a pontos e aeropontos e proximidade com os principais polos acadêmicos e industrias relacionadas à aeronáutica”, ressalta Eduardo, que também informa que o governo de Minas Gerais é um dos acionistas da empresa. 

A fábrica entregou cerca de 550 helicópteros no Brasil, sendo 70% do modelo Esquilo, produzido na fábrica de Itajubá com um índice de nacionalização de 43%, cuja qualidade é comprovada por países sul-americanos, como Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Venezuela. 

Instituto Helibras

Criado para gerar a integração entre a empresa e comunidade de Itajubá, o Instituto Helibras atua no apoio à cultura, lazer e formação para o setor da aviação. A coordenadora do instituto, Lia Maciel, diz o próximo passo será criar um parque ambiental destinado a atividades sociais, esportivas e de lazer na cidade. Segundo ela, a prefeitura de Itajubá já deu permissão de uso do terreno onde será construído o parque. 


*Matéria publicada na Revista de Minas. 

terça-feira, março 19, 2013


Suinocultura tem mercado promissor em MG

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Criação de porcos e industrialização da carne suína é um dos grandes negócios da agronomia mineira

Fotos: Natália Mara

 Minas Gerais é uma das maiores potências da suinocultura no Brasil. Segundo dados do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) o Estado é o 4º maior produtor de suínos do país, possui cerca de 250 mil cabeças para reprodução. Devido aos tradicionais pratos da culinária mineira, a região também está no topo da cadeia no que diz respeito ao consumo da carne de porco.

Desde a época do descobrimento do Brasil, o porco foi introduzido na cozinha mineira. O colonizador português tinha grande interesse pela atividade mineradora e não sobrava mão de obra para a criação de animais. Porém, para a criação de porcos bastava o uso da ração ou lavagem (restos de alimentos), o que levou ao abundante uso destes animais.

Nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso, onde há o
 maior número de cabeças, onde o sistema de suinocultura utilizado é o de integração. Isso quer dizer que o suinocultor é especializado por determinada fase. Já em  Minas Gerais, aproximadamente 93% dos produtores são independentes e trabalham com suínos de ciclo completo, o que significa que possuem o seu próprio plantel produtor e efetuam todo o processo de cria, até disponibilizar os lotes de suínos para o abate.

Para o vice-presidente da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg), José Cardoso Penna, o ciclo completo garante maior lucratividade e qualidade dos produtos.

A granja Barreirinha, em Sete Lagoas, na região central de MG, produz o ciclo completo e também a industrialização da carne. O gerente da fazenda, Ronaldo dos Reis, conta que a granja possui 500 porcas fêmeas (também chamadas de matrizes) e que nascem por volta de 300 leitões semanalmente. “Uma porca gera uns 15 leitões e é muito raro acontecer nascimento de animais defeituosos, mas quando acontece temos que sacrificá-lo para não proliferar doenças”, explica o gerente.

Ainda segundo Ronaldo Reis, dependendo da produtividade uma porca pode recriar até 8 vezes. “Tem porcas que depois da 2ª gestação não conseguem mais reproduzir, e temos que descartá-las”, afirma Ronaldo.

Para alimentar os animais da ‘Granja Brarreirinha’ são gastos quase 68 mil toneladas de ração por dia. A ração é fabricada na própria fazenda para reduzir os custos. Cerca de 60 porcos saem da granja todos os dias para serem abatidos.
  Depois, a indústria na própria granja recebe as carcaças, faz a desossa, o processamento dos cortes e a embalagem.
A administradora da indústria Barreirinha, Luciana Penna conta que os produtos comercializados são temperados e alguns até fritos, deixando-os mais prontos para consumo e também para supermercados e bares com ‘comida de boteco’.

Consumo da Carne Suína


Em 2010 foi criado o Projeto Nacional de Desenvolvimento da Suinucultura (PNDS). O projeto tem parceria com a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae-MG) e também com a Associção dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (ASEMG).

O objetivo desse projeto é melhorar a produção da carne suína, aumentar o consumo, capacitar os profissionais do setor e, ainda oferecer palestrar para a sociedade e campanhas que demostrem a qualidade da carne.

Com a mudança de hábitos alimentares e a diminuição do número de integrantes por família, o setor suinícola passou a apresentar ao consumidor final cortes menores e com pouca gordura.

Acompanhe o Ciclo Completo da Suinocultura

Reprodução

As fêmeas ou matrizes são inseminadas no galpão de reprodução e manejadas com cuidado pois, nessa fase ocorre a fecundação dos óvulos, a formação e a fixação dos embriões.  

Gestação

O tempo de gestação das fêmeas ou matrizes são de 112 a 114 dias. Nesta fase é fornecida uma alimentação de qualidade e em quantidades precisas que contribui para o aumento da produtividade. O consumo de água aumenta nesse período. Para evitar qualquer tipo de estresse as fêmeas são conduzidas com cuidado para a maternidade.

Maternidade


Essa é uma das fases mais críticas da produção do suíno, os cuidados são redobrados. Limpeza, higiene e alimentação adequadas são essenciais nesta fase. Só há interferência no parto, quando é necessário.

Ao nascer é realizado o corte do cordão umbilical e rabo. Os leitões recebem vacina com antibiótico e são passados em uma solução com iodo e pó secante. E, seguida, os filhotes são alimentados pelo colostro (primeiro leite materno), que é o alimento primordial, porque previne doenças e ajuda os leitões crescerem fortes. Após 5 dias de vida eles já começam a comer ração. 


O funcionário da granja, Ademilson Mendes, trabalha na maternidade e diz que os recém-nascidos recebem atenção especial. “Temos que ficar atentos para as porcas não esmagarem os leitões”, conta Ademilson.

Creche

 

A saída da maternidade para a creche é um choque para os leitões. Eles deixam de ser alimentados pelo leite da mãe e recebem apenas ração e água. Permanecem na creche durante 8 semanas.

Recria

Nesta fase os leitões recebem ração a vontade, ficam de 80 a 85 dias e chegam a pesar uns 50 Kg. 

Terminação

Fase final do ciclo. Os leitões permanecem até completar 22 semanas de idade, quando são levados para o abate. O ciclo completo de vida dos leitões é 154 dias.

História da suinocultura no Brasil

Em 1532, o navegador Martim Afonso de Souza trouxe os primeiros porcos para São Vicente (SP). Anos depois, no governo de Tomé de Souza, chegou à Bahia um navio com animais domésticos, entre eles o porco.  

As raças existentes em Portugal foram às primeiras introduzidas e criadas no Brasil. Elas se cruzaram desordenadamente e também se mestiçaram com raçãs originárias da Espanha, Estados Unidos, Itália, Inglaterra e Holanda. Houve, ainda, influência do meio e da alimentação.


Anos depois, alguns fazendeiros se preocuparam em melhorar o porco nacional. Porém, foi no início do século XX que realmente houve melhoria genétics das as raças. Isso devido à importação de animais das raças Berkshire, Tamworth e Large Black, da Inglaterra e, depois, das raças Duroc e Polland da China.


A suinocultura passou por profundas alterações tecnológicas nas últimas décadas, visando principalmente o aumento de produtividade e a redução dos custos de produção. É hoje uma atividade essencial para a economia brasileira, movimentando mais de R$12 milhões por ano. 


*Matéria publicada na Revista de Minas.

Jatibocão: o pequeno que podia ser grande

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Estádio tem o mesmo projeto inicial do Mineirão, mas está abandonado e sem incentivo no interior de Minas 


O estádio Jatibocão está localizado na Usina de Jatiboca, no município de Urucãnia, na zona da mata mineira. Foi criado em 1978 por Ary Soares Martins, na época um dos donos da usina de açúcar e álcool de Jatiboca. O campo era resultado da iniciativa e paixão do “Seu Ary” e foi inspirado no projeto inicial do Mineirão de Belo Horizonte, mas hoje o que se vê é simplesmente o retrato do abandono e da falta de incentivo.

Antigamente o estádio possuía estrutura adequada e apresentava jogos de times da região todos os finais de semana. O aposentado Raimundo Ferreira foi caseiro do fundador do Jatibocão durante 49 anos e conta que em 1983 o estádio recebeu um dos jogos mais importantes. “O time Bangu veio do Rio de Janeiro para jogar contra o time do Jatiboca, o estádio lotou de gente, muitas pessoas da região vieram para assistir a partida”, relembra o ex-caseiro. 

A filha de Ary Martins, Sônia Maria Martins, também conta que na ocasião desse jogo a Usina Ana Florência completava 100 anos e que a partida serviou para comemorar o aniversário. “Foi uma festa e bem na hora do jogo a energia acabou! As pessoas até diziam que a usina tinha mandando desligar a luz para o Bangu não golear contra o Jatiboca”, brinca Sônia. 


Quando o estádio Jatiboca foi construído criou-se também uma escola de futebol para as crianças da região. Nesse período o mecânico Marcos Perdigão, nascido e criado em Jatiboca, tinha 10 anos e desfrutou da escola. “ A escolinha não deixava a desejar a nenhuma escola profissional. Tínhamos acompanhamento médico, transporte e em nenhuma partida repetíamos uniforme”, conta Marcos. 

As poucos o futebol foi  perdendo o incentivo. “Hoje Jatiboca não tem escolinhade futebol e nem tem apoio ao esporte”, desabafa Raimundo Ferreira. “O estádio caiu no esquecimento e raramente recebe jogos. As coisas foram mudando, mas as pessoas gostam de futebol, no entanto não investem”, conta Raimundo. “Tudo era custeado pelo seu Arym por causa das mudanças na usina o incentivo acabou. Foi perdendo a importância e sem ajuda naõ foi possível manter o time”, completa o ex-aluno da escolinha, Marcos Perdigão. 

Conheça um pouco da Usina Jatiboca


Desde o final do século passado, várias usinas de açúcar se instalaram na região da Zona da Mata mineira. Em 1920, Custódio Martins Silva reuniu um grupo de sócios e fundou a Usina Jatiboca em terras dos distritos de Ponte Nova e Urucânia. 

A usina produziu açúcar pela primeira vez por volta de 1926, fornecendo para o mercado algo em torno de 2 mil sacos de 60 Kg. Jatiboca tem capacidade de moer diariamente cerca de 5 mil toneladas de cana e produzir 2 mil sacos de açúcar de 50 kg. A marca comercial do açúcar é ‘Alvinho’. “A qualidade do açúcar é excelente e utilizo para fabricar doces”, conta orgulhosa Sônia Maria Martins. 

*Matéria publicada na Revista de Minas. 

Tradição e beleza em pano e giz

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Artesanato divulga a pequena cidade de Buritis e retrata casas antigas e igrejas utilizando a pintura com giz de cera

Foto: Divulgação

Mostrar a cultura e a riqueza local, aliar à singeleza e criar com originalidade, esse é o trabaho da artesã Ednês Queiroz, moradora da cidade de Buritis, no noroeste de Minas Gerais. Ela retrata as casas e igrejas antigas da cidade, pintando-as em panos de prato com giz de cera. “Antigamente tudo era feito á mão, hoje em dia a maioria das coisas são feitas com máquinas, a pintura é um modo de trazer a cultura antiga e preservar a tradição para as gerações futuras”, diz a  artesã. 

“Aprendi a técnica pela internet, achei interessante e importante retratar a cidade”, explica Ednês, que atualmente ensina o trabalho para adolescentes e demais pessoas cadastradas na Casa do Artesão. 

O artesanato, além de ser uma forma de distração, complementa o salário fixo de Ednês Queiroz como funcionária da Casa do Artesão. “Trabalho na Casa desdde a inauguração e o artesanto da cidade é bastante procurado”, conta orgulhosa. 

O projeto

A casa do Artesão é um projeto municipal mantido com recursos da prefeitura através da Secretaria Municipal de Ação Social. O projeto tem parceria com o Sindicato Rural de Buritis e programas sociais como o Projovem Adolescente. Também mantém atualizado o registro dos jovens artesãos do município, divulgando a produção regional. 

“Promovemos a formação, capacitação, qualificação e reciclagem para os pequenos artesãos e instrutores dos projetos e programas sociais”, afirma a coordenadora da Casa do Artesão, Katiuscia Di Sousa. De acordo com ela, o projeto tem o papel de proteger e perpetuar o caratér cultural do município, mantendo viva a tradição que transforma matéria em peças decorativas, reunindo criatividade, beleza, utilidade e cultura. 

Com a criação do projeto também foi feito um espaço denominado Loja do Artesão, onde são comercializados os produtos confeccionados pelos trabalhadores cadastrados. Para Katiuscia, a loja também é uma maneira de valorizar os produtos artesanais. 



*Matéria publicada na Revista de Minas.